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A Dor do Vazio Existencial

Psicóloga Alessandra Bastian Barbieri

O vazio existencial é uma sensação que aparece quando o indivíduo é incapaz de pensar o futuro, ou seja se projetar nele. Trata-se de uma angústia onde o indivíduo se sente confuso com o que ele é ou como deveria ser, resultando num estado de desânimo, abatimento e falta de motivação diante da vida. A pessoa executa sua rotina diária, mas no fundo sente que nada lhe preenche, nada lhe faz sentido. O que falta nesses casos é um conteúdo profundo pelo qual viver.

Numa sociedade que estimula o máximo consumo e a satisfação do prazer imediato, a lógica social é supervalorizar o ter em detrimento do ser; e isso também contribui para o aumento do sentimento de vazio existencial.

As pessoas usam várias tentativas para preencher esse vazio, por exemplo, com coisas materiais, trabalho, relações amorosas, comida, drogas, etc. Porém, estas formas de preencher o vazio trazem alívio momentâneo e logo em seguida o vazio dá sinais de que ainda está lá, causando novamente angústia, ansiedade, solidão, medo e demais emoções e pensamentos negativos.

É claro que nem sempre estamos nos sentindo bem, pois uma certa dose de ansiedade e tensão na vida de cada um é saudável e necessário, mas somente quando essa tensão não acarreta sofrimento psíquico maior na vida da pessoa.

É necessário pensar em possibilidades de sentido que não estejam apenas presas no agora, mas também em um futuro desejado pela pessoa. Valores e objetivos profissionais, afetivos, culturais não podem ser deixados de lado. O sentido de existência está dentro de cada indivíduo e não fora dele, portanto precisa ser retomado ou se for o caso construído.

Essa construção pode ser conquistada através de um processo psicoterapêutico sério, através do olhar para dentro de si mesmo e não a espera de que o mundo externo ofereça alguma resposta.

Como dizia Sigmund Freud, “A Psicanálise é em excelência, uma cura pelo amor”. Ter dinheiro, poder e carreira não traz nenhum sentido de vida se a pessoa não desenvolveu a capacidade de amar e estar em constante (re) encontro consigo mesma.

 


Publicado em 09.06.2015