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Tornar-se Mãe: Do Desejo à Realidade

Psicóloga Alessandra Bastian Barbieri

 Ao contrário do que comumente se pensa, o desejo de ser mãe não tem início quando a mulher engravida, e sim, está presente em seu inconsciente desde a sua infância.      

             A mulher se torna mãe em função da sua própria mãe, dos cuidados e da qualidade do afeto que lhe foi transmitido quando ainda era bebê: da forma como foi carregada no colo, colocada no berço, alimentada... Isso pode determinar a forma como pegará no colo seus próprios bebês e como exercerá seu papel de mãe. 

            Por tanto, quando uma mulher engravida, entendemos através de sua história de vida e da herança deixada pelas marcas da relação com sua mãe, que o bebê/filho está lá, na mente da futura mãe, desde a mais tenra infância.

            Se o desejo de ser mãe teve início na infância, é na vida adulta que a mulher poderá exercer seu papel de mãe. E se essa mãe quando bebê, teve a sorte de contar com uma mãe ou cuidadora “suficientemente boa”, como afirmava o psicanalista Donald Winnicott, uma mãe capaz de reconhecer, respeitar e atender as necessidades básicas de seu bebê, então provavelmente a maternidade será vivenciada positivamente.

            E nesse caso, como é bom ser mãe e poder viver essa ligação que se estende além de si mesmo!

            Contudo, ser mãe não é tarefa fácil para a mulher nos tempos atuais. A sobrecarga de seus afazeres diários a leva de encontro a um conflito comum em meio à globalização: dividir o tempo entre a casa, o trabalho, o marido e os filhos, às necessidades femininas como, cuidados físicos, emocionais, culturais entre outros.  

            Vivemos hoje em um mundo que cobra a perfeição em meio à excessos de todos os tipos. As mães inseridas nessa realidade, constantemente sentem-se confusas e culpadas, pois a sociedade cobra delas o mito da “mãe perfeita”.  Mito, pois na realidade não existe mãe perfeita e nem totalmente certa e sim, mãe suficiente, como entendia Winnicott.  

             O mesmo psicanalista afirmava que uma mãe precisa de espaço para exercer sua maternagem, só assim ela vai achar o seu caminho como mãe. E essa mãe vai fazer o suficiente, e o suficiente é o melhor que se possa fazer por um filho. Portanto, as mulheres necessitam se despreender do modelo da “mãe perfeita” ou ideal, pois isso só vai resultar em sentimento de culpa.

            Estamos vivendo um momento em que devemos refletir seriamente sobre a importância da valorização da função materna e de permitir que as mulheres se sintam autorizadas livremente a exercer esse papel.

            A mãe que com afeto, frustra o filho e não dá tudo o que ele quer, introduz o limite, a ordem, a capacidade de pensar por si próprio e acima de tudo, o ensina a amar a si mesmo e ao outro. Essa é a mãe real. É a mãe que erra, que não faz tudo certo, mas que também acerta, pois aprende a dar o que pode e não o que a sociedade exige.

            Desejo um Feliz Dia das Mães a todas as mães, às futuras mamães e às que já faleceram também, porque mãe sempre deixa uma marca no nosso psiquismo e nesse sentido nunca morrem, são eternas.

           

           

 


Publicado em 02.05.2016